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18 de junho de 2026

Redução do açúcar sem comprometer o sabor

Posted in Notícias da Indústria

A redução do teor de açúcar tornou-se uma das mudanças mais importantes na indústria global de bebidas. As novas expectativas dos consumidores, aliadas à regulamentação governamental, estão a levar as marcas a repensar a forma como as bebidas são formuladas. Para os fabricantes de bebidas, a reformulação já não é apenas algo «que é bom fazer», mas sim fundamental para se manterem relevantes, competitivos e dignos de confiança.

Por que razão a procura dos consumidores está a impulsionar a mudança

Atualmente, os consumidores estão mais conscientes da relação entre o consumo de açúcar e a saúde. As preocupações com a obesidade, a diabetes e o bem-estar geral levaram muitas pessoas a procurar ativamente bebidas com menos açúcar ou sem açúcar adicionado. Isto alterou o comportamento de compra, com um número crescente de consumidores a optar por alternativas com menor teor de açúcar em vez das opções tradicionais com teor total de açúcar.

Os consumidores estão também a tornar-se mais cautelosos em relação aos adoçantes artificiais, o que acrescenta mais uma camada de complexidade às estratégias de redução do açúcar. Embora os adoçantes de baixas ou sem calorias tenham desempenhado um papel importante na redução do açúcar, alguns consumidores continuam céticos quanto ao impacto que atribuem à sua saúde e procuram ativamente alternativas que consideram mais naturais. Isto levou a um interesse crescente em opções de origem vegetal, como a estévia e a fruta do monge. Consequentemente, os fabricantes estão cada vez mais a explorar formas de equilibrar uma redução eficaz do açúcar com as expectativas de rótulos mais simples, utilizando misturas de adoçantes e tecnologias de sabor para oferecer um posicionamento mais natural sem comprometer o sabor.

Escusado será dizer que o sabor continua a ser fundamental. Os consumidores não estão dispostos a fazer concessões em termos de sabor, o que torna a reformulação um desafio tanto técnico como criativo. As marcas precisam de reduzir o açúcar, mantendo ao mesmo tempo a mesma experiência agradável de consumo. Este equilíbrio entre saúde e sabor é agora um dos principais pontos de disputa nesta categoria.

O papel da regulamentação e dos impostos sobre o açúcar

A intervenção governamental acelerou o ritmo da mudança. No Reino Unido, por exemplo, a Taxa sobre a Indústria de Refrigerantes teve um impacto particularmente significativo. Introduzida em 2018, foi concebida não só para angariar receitas, mas também para incentivar os fabricantes a reduzirem os níveis de açúcar nos seus produtos. Os dados do Tesouro de Sua Majestade revelam que esta política conduziu a uma redução média de 46 por cento do açúcar nos refrigerantes abrangidos entre 2015 e 2020. (Ministério das Finanças do Reino Unido, Análise do Imposto sobre a Indústria de Refrigerantes)

O impacto tem sido significativo. O volume total de açúcar vendido em refrigerantes diminuiu mais de um terço entre 2015 e 2019. (Institute for Government, Sugar Tax Explainer) Isto demonstra que a reformulação pode trazer mudanças reais em grande escala quando existem os incentivos adequados.

Mais recentemente, o governo do Reino Unido anunciou planos para tornar as regras ainda mais rigorosas, reduzindo o limiar de açúcar a partir do qual a taxa se aplica. (BeverageDaily, análise do imposto sobre o açúcar no Reino Unido) Isto significa que os fabricantes enfrentam uma pressão constante para continuar a reformular os seus produtos, caso queiram evitar custos mais elevados ou aumentos de preços.

Como as grandes empresas do setor das bebidas estão a reagir

As grandes empresas globais do setor das bebidas adaptaram-se rapidamente. A reformulação tornou-se uma parte essencial da sua estratégia a longo prazo.

A PepsiCo é um exemplo claro. A empresa comprometeu-se a reduzir os açúcares adicionados em todo o seu portfólio de bebidas em 25 por cento até 2025 e em 50 por cento até 2030. (FoodNavigator, estratégia de reformulação da PepsiCo) Além disso, reformulou o seu principal produto à base de cola em alguns mercados, reduzindo o teor de açúcar em mais de metade, de modo a situá-lo abaixo dos limiares fiscais relevantes. (The Grocer, relatório sobre a reformulação da Pepsi)

A Coca-Cola Company adotou uma abordagem semelhante. A empresa expandiu a sua gama de opções com baixo teor de açúcar ou sem açúcar, ao mesmo tempo que reformulou os produtos existentes e ajustou o tamanho das porções. A sua estratégia centra-se em oferecer mais opções aos consumidores, reduzindo progressivamente o teor global de açúcar em todo o seu portfólio.

Em todo o setor, muitas marcas reformularam os seus produtos para que fiquem ligeiramente abaixo dos limiares tributários, como o nível de 5 g por 100 ml no Reino Unido. (BeverageDaily, análise do imposto sobre o açúcar no Reino Unido) Isto realça o quanto as estratégias de reformulação estão intimamente ligadas tanto à regulamentação como ao desempenho comercial.

Inovação que vai além da simples redução do açúcar

A reformulação não se resume apenas à eliminação do açúcar. Está também a impulsionar uma inovação mais abrangente. As empresas estão a investir em novos sistemas de adoçantes, tecnologias de sabor e conceitos de produtos para oferecer o mesmo sabor com menos calorias.

Tem-se verificado também um crescimento em categorias de produtos totalmente novas, tais como águas aromatizadas, bebidas funcionais e refrigerantes de baixas calorias. Estes produtos são concebidos de raiz para responder às expectativas atuais em matéria de saúde e bem-estar.

Ao mesmo tempo, as marcas estão a perceber que a reformulação deve ser feita com cuidado. As alterações no sabor podem suscitar reações fortes por parte dos consumidores, o que significa que melhorias graduais e uma comunicação clara são, muitas vezes, a abordagem mais eficaz.

Por que razão a reformulação continuará a ser importante

A redução do teor de açúcar não é uma tendência de curto prazo. Trata-se de uma mudança estrutural na indústria das bebidas. As expectativas dos consumidores continuarão a evoluir e é provável que a regulamentação se torne mais rigorosa em muitos mercados.

Para os fabricantes, a reformulação representa tanto um desafio como uma oportunidade. Aqueles que conseguirem oferecer um sabor excelente com menos açúcar estarão bem posicionados para conquistar a fidelidade a longo prazo e destacar-se num mercado altamente competitivo.

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Referências

 

refrigerantes com baixo teor de açúcar
Notícias da indústria

A tendência para a redução do açúcar

A indústria global de refrigerantes está passando por uma das transformações mais significativas da sua história. Durante décadas, a categoria foi definida por bebidas carbonatadas açucaradas e sabores indulgentes. Mas as mudanças nas expectativas dos consumidores estão a levar os fabricantes numa nova direção. No centro dessa mudança estão a redução do açúcar e bebidas "funcionais" mais saudáveis.

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